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Depoimento – Gabriel Falcão – 1º colocado EsFCEx – Direito – 2017

Depoimento – Gabriel Falcão – 1º colocado EsFCEx – Direito – 2017

 Sabe aquele sonho de infância de ser militar? De usar uma farda camuflada? De ter uma vida honrada? Eu tive, e ainda tenho. Quando era criança e me perguntavam a profissão que eu queria ter, eu dizia “militar”, apesar de não ter nenhum parente militar.

A falta de dedicação na escola e a desmotivação para estudar me fizeram atrasar uma parte desse sonho, mas ele estava lá, guardado no meu coração.

Quando cheguei aos 18 anos, em 2007, servi na Marinha do Brasil em Rio Grande/RS, na esperança de conhecer algo que me satisfizesse profissionalmente. Mas em razão da falta de perspectiva como “Marinheiro-Recruta” (MN-RC), e sem a possibilidade de seguir na carreira por aquela porta de entrada (a qual muitos chamavam de “janela dos fundos”), frustrei-me até mesmo com o militarismo, e iniciei a faculdade de Direito em Pelotas/RS.

Durante a graduação, ainda assim cogitava ser militar, trabalhando com o Direito em alguma das Forças Armadas. Ao longo da faculdade, no entanto, minhas intenções variaram entre diversas carreiras, como a advocacia privada, a advocacia pública e a magistratura.

Quando me formei, ao final de 2012, estava decidido a me dedicar a “um concurso público”, sem nem saber qual, e iniciei um curso preparatório tele presencial no Damásio de Jesus. A densidade e a qualidade do conteúdo me surpreenderam, e me fizeram perceber como eu não tive acesso nem à metade do conteúdo que poderia, ao longo de cinco anos de graduação.

Após mais de um ano apenas estudando, mas sem um foco, me cansei, e decidi que deveria trabalhar como advogado, muito por gostar da atuação nos processos, mas sem perceber que a advocacia privada exige outros atributos, que eu não tinha. Não demorei a perceber que aquilo não teria futuro algum.

Certo dia, minha noiva (namorada na época), tentando me ajudar a encontrar um rumo profissional, me perguntou se eu não gostaria de fazer um concurso cujo edital havia sido recém lançado, a tal EsFCEx.

Na primeira vez que fiz a prova, em 2015, acertei 20 da parte geral e 24 da parte especial. Sabia que tinha ido relativamente bem para quem estudou apenas durante três meses. Mas me empolguei bastante com aquela prova. E no ano seguinte, foquei novamente nos estudos, mas dessa vez, com um objetivo bem delineado: a EsFCEx de 2016.

Para atingir esse objetivo em 2016, adquiri um curso à distância de Gerais e Direito do Curso Cidade. Assim pretendia superar todos os obstáculos e estar em Salvador em 2017.

Apesar de ter tirado uma boa nota, acertando 23 de gerais e 31 das questões de Direito, naquele ano fiquei apenas majorado. Com essa nota, eu teria entrado nas vagas no ano anterior, mas a nota de corte daquele ano subiu bastante, e não ter me classificado me frustrou novamente. Então, mais uma vez, agora por já me sentir envergonhado de ter 28 anos, não trabalhar e morar com minha mãe, decidi que era necessário trabalhar, em qualquer lugar que fosse.

(Re)comecei advogando em parceria com um conhecido mais experiente, e logo consegui uma vaga como assessor parlamentar de um vereador da minha cidade, a quem havia conhecido dois anos antes. Eu havia desistido de estudar novamente, simplesmente por não saber lidar com o fracasso.

Minha noiva já estava me “pressionando” para casarmos, e eu realmente queria casar com ela, mas até aquele momento não havíamos dado o passo seguinte em razão da espera por uma “definição profissional”. Erro crasso. Mas tudo bem, noivamos no Rio de Janeiro, Com família, padre, bênção, etc., tudo maravilhoso. Não se pensava mais em concurso, muito menos em concurso militar.

Em 2017, quando as coisas se acomodavam, mas sem estabilidade alguma (já que assessorar político não garante nada, apenas muito trabalho), reiniciei meus estudos por conta própria, eu precisava tentar mais uma vez, dar uma última tacada.

Como já tinha estudado todo o conteúdo com grande dedicação, só precisei de três meses para rever todo o material. Com tudo já organizado na minha cabeça, estando apenas “esquecido”, foi fácil refrescar a memória, e ainda condensar tudo em um curto espaço de tempo.

Acabei indo fazer a prova muito mais preparado, e com um detalhe importante: entregando tudo nas mãos de Deus, e pedindo cada vez mais a intercessão de Maria.

Em 2017 acabei acertando 25 questões de Gerais e 34 de Direito. Com o pequeno trauma do ano anterior, eu já não tinha certeza nem se com essa nota estaria classificado. Mas tudo correu (e correrá) bem, e estarei em Salvador em 2018, no tempo que Deus quis.

Houve, ainda, para dar mais emoção ao processo, a anulação de uma questão de História, que eu havia acertado.

Enfim, de tudo isso que foi colocado, penso que o importante é destacar o meu progresso gradual: em 2015 a minha pontuação foi 20/24, em 2016 foi 23/31 e em 2017 foi 25/34.

 

 Sobre o estudo

A parte motivacional é de extrema importância. Inúmeras foram as vezes que recorri a vídeos de aprovados na EsFCEx, ou de pequenos filmes com fotos da Escola em Salvador. Se te dão motivos para estudar, são úteis.

Mas além da minha experiência pessoal, que espero humildemente possa auxiliar os demais a se sentirem motivados para buscar a aprovação na EsFCEx, é importante a preparação técnica para a realização da prova.

De início, é preciso conhecer o adversário. Analisando o edital, verifica-se que há muitos ramos do Direito além das Gerais. Ou seja, é muito conteúdo. Mas vendo as provas anteriores é que se conhece o concurso, podendo se avaliar que, por exemplo, o nível das questões de Direito Penal Militar não é o mesmo de Direito Previdenciário ou Direito Civil.

E esse processo de conhecer a prova é essencial. Sem saber quais são os pontos mais importantes, não se consegue ter a segurança necessária para realizar o concurso.

Vou tentar explicar aqui, como foi o meu estudo, matéria por matéria, iniciando pelas Gerais e posteriormente o Direito.

Em Português, acho que sempre levo “tufo”, porque apesar de gostar de escrever, e entender que tenho bom conhecimento da língua portuguesa, mantive a média de três erros por prova; das sete questões, acerto quatro. Busquei sempre fazer questões das provas anteriores, utilizando principalmente as apostilas do Curso Cidade.

Sempre me lembro do que o ex-professor Lúcio, do Curso Cidade, nos dizia: “não é pra saber a matéria, e sim saber qual alternativa marcar lá naquele exato momento”. Por mais que se conheça o conteúdo, se não houver a concentração e a abstração necessárias, você não vai conseguir marcar a alternativa correta.

Para estudar história do Brasil, aqui tem uma dica de ouro: usar o Almanaque da Abril. Nesse almanaque tem uma parte dedicada à história do Brasil, bem resumida. Uma das minhas estratégias foi não ir para a prova sem saber absolutamente tudo o que estava nesse almanaque. Também li todo o livro do Bóris Fausto (principal autor do edital) de cabo a rabo, mas apesar de ler com atenção, obviamente é impossível gravar tudo na cabeça.

E fiz questões, utilizando também a apostila do Curso Cidade, e os sites com conteúdo aberto na internet (Brasil Escola, Brasil Educação, Mundo Educação…). Usem esses sites sem vergonha nenhuma, só cuidem (evitem mesmo) o Wikipedia, porque já encontrei informação errada (muito errada, sobre uma questão histórica).

Há, também, um vídeo do Bóris Fausto no Youtube, fácil de achar, em que se conta a história do Brasil. É muito básica, mas é mais um instrumento para fixar o conteúdo, importante.

Quero contar uma experiência minha: em 2017, o ‘governo Lula’ entrou no edital de história. Li toda a obra do Bóris Fausto na parte relativa ao governo Lula, e não caiu nenhuma questão. Mas eu estava preparado, então, atenção sempre ao edital.

Passando para geografia do Brasil, utilizei principalmente a apostila do Curso Cidade, mas também os sites e blogs sobre geografia na internet (eles nos salvam muitas vezes). Utilizei também (apenas para consulta) as obras de Eustáquio de Sene e João Carlos Moreira.

Mas além da apostila, foram mesmo fundamentais as aulas do professor Adriano, do curso Cidade.

No estudo de inglês, eu nunca me preocupei muito, porque fiz curso preparatório “a vida toda”. Mas ainda assim, errava algumas coisas (nas provas de 2015 e 2016). A solução foi perceber o que exatamente eles gostavam de pedir na prova (nomes de tempos verbais, por exemplo), e o que eu efetivamente não sabia, e sanei essas dificuldades, utilizando principalmente o Google.

No estudo do Direito, estudei as quatro últimas provas da EsFCEx. Fiz todas as questões estudando absolutamente todas as alternativas (o porquê de estarem certas ou erradas). Dessa forma, além da formação que eu já tinha em Direito, pude “conhecer o adversário”, sabendo quais eram as matérias nas quais havia certo aprofundamento, e as que eu não precisava me preocupar tanto.

Essa forma de estudo (saber “tudo” das provas anteriores) serve mais para o Direito, mas também para a parte de Gerais. Eu me recusava a ir para a prova sem saber algo que já havia sido cobrado nas provas anteriores.

 

Conhecendo a prova, percebi que Direito Administrativo e Constitucional precisam ser estudados a fundo, saber teorias, nomes de autores, etc. Já em Direito Previdenciário, bastava a leitura da Constituição Federal, na parte de Seguridade Social, e algumas regras relativas à manutenção da qualidade de “segurado do INSS”, e o estudo estava feito. O tempo é sagrado nesse momento.

Um ponto importante é que, na parte de Direito Penal Militar, entendo que não vale à pena ler a obra do professor Marreiros, ainda que ele faça parte da banca examinadora. Porém, uma dica de ouro é ler somente os “Casos” que ele coloca em seu livro, pois esses casos são os mesmos utilizados em questões do concurso da EsFCEx.

Via de regra, porém, estudei Penal Militar por uma sinopse do Marcelo Uzeda, que resume em aproximadamente 300 páginas todo o conteúdo. Optei por essa forma de estudo, pois assim conseguia dedicar mais tempo às Gerais. Foque seu estudo comparando os institutos do Direito Penal Militar com o Direito Penal comum (faça uma tabela com duas colunas). Grave prazos (parece bobagem, mas não vá para a prova sem saber aquelas frações de aumento e diminuição de pena, no caso de tentativa, arrependimento posterior, etc.).

Em DICA (Direito Internacional dos Conflitos Armados), foram essenciais as aulas do Lúcio, ex-professor do Cidade. Com base nas aulas dele, aliadas a alguns textos da internet e vídeos do YouTube, meu estudo me rendeu quase gabaritar essa parte na prova. Importante ter em mãos as Convenções de Genebra, Protocolos Adicionais, Estatuto de Roma, etc. Não deixe para ler apenas os resumos, utilize as fontes primárias.

Tentando concluir este depoimento, digo com toda a certeza que uma das coisas mais importantes é ter o seu material próprio. Baixar resumos pode ajudar, e ajuda sim, mas ter seu próprio caderno (seja físico ou digital) é a única maneira de fixar o conteúdo.

Creio ser possível resumir a minha experiência com esses pontos: não existe receita de bolo (cada um precisa perceber em quais matérias tem mais dificuldade, e quais pode sacrificar um pouco) e tudo tem seu tempo debaixo dos céus (só passei na minha terceira tentativa, porque Deus me reservou esse momento da forma mais especial, tenho certeza).

Gabriel Bacchieri Duarte Falcão

gbdfalcao@gmail.com

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